Guzerá da Amazônia no caminho certo

23/04/2020

A raça cresce a cada ano na região e ganha mais adeptos que apostam na excelência e potencialidade dos animais



 



Texto: Sabrina Alves



 



Muito conhecido mundo afora, principalmente na América do Sul, o Guzerá está entre as primeiras raças zebuínas a entrar no Brasil, ainda no século XIX e, desde então, vem ganhando mais espaço devido sua dupla aptidão e aceitação nos cruzamentos com outras raças, permitindo a evolução da pecuária nacional.



Sua rusticidade e versatilidade a tornaram uma das mais presentes nas pistas de julgamento e nas fazendas da região norte do país, em especial, nos estados do Pará e Amazonas ocupando a 5ª posição do ranking de rebanhos produtores, conforme dados levantados pela Associação dos Criadores de Guzerá da Amazônia (ACGA).



A maior concentração da raça Guzerá está no nordeste e sudeste paraense, onde estão os criatórios que focam na produção de touros melhoradores, ativamente presentes em exposições de âmbito nacional, como a ExpoZebu.



Além do Guzerá, o Guzolando já é presença ativa dos rebanhos leiteiros, garantindo produtividade e rentabilidade aos criadores que seguem apostando na sua criação. Com a missão de mostrar o que a raça tem de melhor, os criadores estão explorando todo o seu potencial, tanto de produtividade quanto dentro dos cruzamentos.



“Conseguimos um espaço consagrado tanto para a produção de carne quanto leiteira viabilizando aos criadores de touros e fêmeas PO essa integração com os produtores rurais, que vem sendo disseminada na região amazônica. Sua produção foca num material genético forte e com garantias para a evolução da pecuária”, diz o presidente da ACGA, José Luiz Ferreira de Almeida Filho, que segue à frente da associação até 2020.



Números crescentes



Um dos fatores que proporcionaram seu notório crescimento foi o intenso trabalho ACGA. Criada em 2003 com o propósito de mostrar e comprovar o potencial da raça, a associação busca dar maior visibilidade dentro do cenário pecuário da região amazônica.



Com sede em Belém, no Pará, a ACGA alcançou números extremamente positivos e que comprovam a força da raça dentro do cenário pecuário. Entre 2007 e 2016 foram contabilizados mais de 37.700 animais registrados (RGN, RGD+CCG). Somente no estado do Pará, o mesmo período apresentou um volume de 11.226 animais, o que representa 35% de todo o rebanho da região. Desses 7.435 são fêmeas e outros 3.791 machos, conforme dados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ).



Esses números crescentes são uma consequência do incentivo dos cruzamentos intrazebuíno que envolve o Guzerá com a vacada branca. Outro trabalho promovido na região amazônica é a aposta nos cruzamentos Tricross fêmeas F1 (Cruzamento Industrial) com touro Guzerá. 



"Essa excelente aceitação traz bons resultados aos pecuaristas. Nem 10% das fêmeas são inseminadas e há uma grande receptividade de touros na região no qual o touro Guzerá tem ampla expansão. Tanto é que já atingimos regiões diversas do estado como destaque para o baixo Amazonas e Ilha do Marajó”, comemora José Luiz que adiantou sobre as próximas ações da associação com foco para a difusão de touros para o sul do Pará e para a região da Transamazônica.



Espaço garantido



Exemplares de altíssima potencialidade racial estiveram presentes na última edição da ExpoPará – maior agropecuária especializada na raça Guzerá do Norte do País, representada por 78 animais. Um dos momentos de destaque da feira foi o leilão Evolução do Guzerá que chegou a sua 13ª edição com parceria de criadores de outras regiões do país, entre essas, o Centro Oeste e Sudeste onde se encontra uma das melhores genéticas Guzerá do Brasil.



Para o presidente da Associação Criadores de Guzerá do Brasil (ACGB), Luiz Guilherme Soares Rodrigues, considerado um dos principais nomes da pecuária guzeratista do Pará, esse crescente mercado não é uma novidade diante do intenso trabalho que vem sendo realizado pelos criadores e especialistas da raça.



“O Guzerá teve uma evolução formidável nos últimos anos. Os animais comerciais são altamente adaptáveis, tanto é que os mesmos que são criados a campos são os que seguem para as pistas de julgamento. O mercado produtor de carne e de leite precisa ter confiança no produto a ser comercializado e a resposta em relação à produtividade e comercialização é notória”, finaliza o presidente da ACGB.


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